Discussão sobre consumo de filmes no Brasil encerra ciclo de debates do CINE PE

O que se deve fazer para aumentar a demanda e impulsionar o consumo dos filmes produzidos no país? A pergunta foi o mote do debate que encerrou a programação workshops do CINE PE. No painel ‘Economia do Audiovisual: Como é possível estimar a demanda por Audiovisual no Brasil?, realizado nesta sexta-feira (30) no Hotel Transamérica, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, o diretor da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Sérgio Sá Leitão, discutiu o cinema nacional, sob a ótica econômica do mercado, com os professores de Economia Gustavo Ramos Sampaio, Yony Sampaio, Paulo Henrique Vaz e Gilson Schwartz.

O encontro, mediado pelo idealizador do festival, Alfredo Bertini, teve início com a apresentação do professor de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Gustavo Ramos Sampaio. Ele mostrou os resultados de um estudo que desenvolveu com Yony Sampaio e Paulo Henrique, além do pesquisador Breno Sampaio, e que faz uma análise do comportamento do público que consome cinema no Brasil. “Se você me disser hoje que você vai lançar um filme no mercado brasileiro e me der todas as características do seu filme, no ano que vem, eu prevejo o comportamento de demanda para o seu filme”, afirmou.

Em seguida, o economista Paulo Henrique Vaz disse que a pesquisa está na fase de analisar, de forma mais detalhada, as variações do comportamento dos consumidores de acordo com a realidade de cada região e cidade brasileira. “O modelo lança uma previsão de público, mas a gente está fazendo a parte de análise de demanda, que é mais olhar um pouco atrás, colocando não só o desempenho dos filmes no mercado brasileiro, tanto nacionais como internacionais, como atrelando, por exemplo, como o público reage a determinadas características de filmes ou a características demográficas das regiões”, explicou.

Já o pesquisador Yony Sampaio ressaltou que o estudo traz respostas a diversas questões relacionadas ao mercado de entretenimento no país. “Há um ponto no setor de que o número de salas para os filmes nacionais não tem compatibilidade com os filmes estrangeiros. Com esses dados, a gente pode perfeitamente comparar as características dos filmes nacionais para ver a questão da disponibilidade e ocupação de salas”, declarou.

Diretor da Ancine, o jornalista Sérgio Sá Leitão sublinhou a necessidade de que as decisões políticas em relação ao segmento audiovisual sejam tomadas com base na verificação de dados científicos. “Acho que, em qualquer área da atividade humana, a gente trazer a coleta e a análise de informações para o processo de tomada de decisões é algo absolutamente fundamental. De um modo geral, o que vemos nos órgãos ligados à cultura é que a gente tem tomado uma série de decisões quase sempre no vazio, muito mais em função de visões pré-concebidas”, afirmou.

Por fim, o professor Gison Schwartz, que ensina Economia do Audiovisual na Universidade de São Paulo (USP), lembrou a revolução nos hábitos de consumo dos produtos culturais impulsionada pela internet ao longo das duas últimas décadas. “É uma ruptura muito profunda em todas as áreas. A gente está falando de entender a demanda num momento em que essa mudança tecnológica alteram radicalmente o tempo, o espaço e a percepção da realidade tanto para quem está no lado da demanda quanto quem está no lado da oferta, e muito especialmente para quem distribui”, observou.

CINE PE fecha ciclo de coletivas

A manhã desta segunda (3) foi de sabatina para os diretores Fernando Gutiérrez, de José, Aline Van der Linden, de Entre Andares, e Felipe Arrojo Poroger, de Aqueles Anos em Dezembro. Os cineastas participaram da última coletiva da 21ª edição do CINE PE. As conversas...

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